Produtores rurais de Campo Mourão otimizam gastos na safra 25/26

No contexto de margens cada vez mais estreitas no setor agropecuário, os agricultores da região de Campo Mourão têm encontrado no Manejo Integrado de Pragas (MIP) uma solução que combina sustentabilidade ambiental com viabilidade econômica. Essa abordagem, que substitui a pulverização em horários fixos por decisões fundamentadas em dados técnicos, tem revolucionado a administração das lavouras locais.

A safra 2025/2026 trouxe resultados significativos para os produtores rurais de Campo Mourão, no Paraná, especialmente após a realização do curso de Monitoramento Integrado de Pragas (MIP) – Soja. Este programa de capacitação foi resultado de uma colaboração entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – IDR-PARANÁ e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, sob a orientação da instrutora Lays Rodrigues Mignoso.

O MIP se configura como uma estratégia operacional e não um produto específico. Essa prática envolve o monitoramento contínuo das lavouras para detectar a presença de insetos, doenças e plantas daninhas. A decisão sobre intervenções é tomada apenas quando a população da praga alcança o Nível de Dano Econômico, ou seja, quando o custo do controle é inferior ao prejuízo provocado pela praga em questão caso nenhuma medida seja adotada. As ferramentas principais do MIP incluem: Amostragem, Controle Biológico e o Uso Seletivo de defensivos químicos somente quando necessário, priorizando produtos menos prejudiciais ao meio ambiente.

Os resultados obtidos ao longo de 12 anos dedicados à pesquisa e extensão confirmam claramente a eficácia do MIP. A implementação consistente dessa estratégia, aliada ao MID – monitoramento integrado de doenças, resultou em uma redução média de 2 a 4 aplicações de inseticidas e de 1 a 2 aplicações de fungicidas por ciclo da cultura da soja. Essa diminuição no uso de defensivos traz não apenas uma economia significativa para os agricultores, mas também aumenta a rentabilidade e preserva o potencial produtivo das lavouras, reduzindo a fitotoxicidade nas plantas e minimizando a exposição dos aplicadores aos produtos químicos, além de diminuir a carga química no meio ambiente e proteger a biodiversidade local.

A relevância do MIP foi destacada por Eliézer Tierling, extensionista do IDR – PARANÁ em Campo Mourão. Ele acompanhou atentamente o progresso dos produtores e comentou que o êxito dessa estratégia depende da dedicação dos agricultores e da mudança na percepção deles sobre suas lavouras: “O segredo está em deixar a cabine do trator e se inserir no meio da soja com um pano para batida. O monitoramento nos revela que muitas vezes a natureza resolve as questões sozinha se lhe dermos oportunidade. Precisamos confiar mais nos mecanismos naturais de controle biológico e agir somente quando o nível da praga realmente justificar os custos e riscos associados à aplicação.”

No final do curso, foram apresentados aos produtores os dados da safra, permitindo que eles compartilhassem suas experiências. Em seguida, ocorreu uma confraternização entre todos os participantes, patrocinada pelo Sicredi – Vale do Piquiri.

By Curitiba no Ar

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