Ele disse também que só ouviu a buzina quando o trem já estava próximo; depoimento ocorreu nesta quarta-feira (21). Outras cinco pessoas ficaram feridas na batida, no bairro Cajuru. Motorista do micro-ônibus diz que trem estava com farol apagado e que não ouviu a buzina
O motorista do micro-ônibus que se envolveu em um acidente com um trem prestou depoimento à Polícia Civil, na tarde desta quarta-feira (21), em Curitiba. Na batida, uma mulher morreu e cinco pessoas ficaram feridas.
Paulo Afonso Ramiro de França chegou à Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) por volta das 16h, junto com o advogado e o dono da empresa. Eles foram ouvidos durante toda a tarde pelo delegado.
Em entrevista à RPC, o motorista disse que na hora do acidente a visibilidade no local era ruim, com pouca luz, e que árvores impediram que ele visse o trem.
O motorista afirmou também que só ouviu a buzina quando o trem já estava próximo, e que o farol da locomotiva estava desligado.
Motorista de micro-ônibus diz que trem estava com farol apagado no momento do acidente
Reprodução/RPC
O acidente aconteceu na madrugada de terça-feira (20), no bairro Cajuru.
O delegado Edgar Santana explicou que a partir desse depoimento vai confrontar as informações que ele disse com um documento repassado pela empresa Rumo, responsável pelo trem, com registros de todas as ações da locomotiva até o horário do acidente.
Mulher que morreu em acidente entre trem e micro-ônibus organizava o casamento da filha
Acidente envolveu um trem e um micro-ônibus no bairro Cajuru, em Curitiba
Tony Mattoso/RPC
Depoimento do maquinista do trem
O condutor do trem prestou depoimento na Dedetran no mesmo dia do acidente. À polícia, ele disse que estava a uma velocidade de, aproximadamente, 42 quilômetros por hora e afirmou que 200 metros antes do cruzamento onde houve a batida, acionou a buzina por três segundos.
Em depoimento, o maquinista disse que viu o micro-ônibus se aproximar, sem demonstrar que pararia. Ele afirmou que buzinou mais uma vez, 100 metros antes do cruzamento, e manteve a buzina pressionada até o momento da batida.
O trabalhador também disse à polícia que acionou os freios de emergência, 30 ou 40 metros antes do cruzamento, mas destacou que, por causa do peso do trem, só conseguiu parar 200 metros depois.
O acidente
Segundo a polícia, no micro-ônibus, estavam oito passageiros, todos funcionários de uma fornecedora de peças de uma montadoras de veículos.
O Corpo de Bombeiros informou que o motorista manobrou para evitar que o micro-ônibus tombasse depois da batida. Ele cruzou a rua e, então, atingiu uma casa. Ninguém que estava na casa se machucou.
A passageira Sirlei Mendes dos Santos, de 41 anos, morreu antes de ser socorrida. Segundo o Corpo de Bombeiros, ela estava sentada do lado do micro-ônibus que foi atingindo pelo trem.
Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas, o motorista do micro-ônibus. Todos os feridos receberam alta do hospital.
Sirlei tinha 41 anos e morreu em acidente com trem, em Curitiba
Reprodução/RPC
O que dizem os envolvidos
A empresa Rumo, responsável pelo trem, disse que lamenta o fato e que apurações iniciais da equipe técnica apontaram que a imprudência do motorista do micro-ônibus foi a principal causa do acidente.
A Vanstour, que é a empresa responsável pelo micro-ônibus, informou que lamenta o ocorrido e que colaborará com as investigações. Ressaltou a “insegurança habitual do cruzamento onde ocorreu o acidente, já conhecido como perigoso pelo alto índice de ocorrências anteriores e pela precária sinalização”.
Um dos donos da empresa também disse que nunca recebeu reclamações sobre a conduta do motorista.
A SMP Automotive, empresa que fornece peças para montadoras de veículos, informou que lamenta a morte da colaboradora e disse que está dando suporte à família. A Volkswagen também declarou que lamenta o ocorrido.
Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.