Museu tem 1,2 mil peças que ficam guardadas na Associação de Catadores da Vila Corbélia, no bairro Cidade Industrial de Curitiba.

Homem monta museu com mais de mil peças descartadas no lixo em Curitiba
Homem monta museu com mais de mil peças descartadas no lixo em Curitiba

“Eu não entendo como as pessoas podem jogar tanta coisa importante no lixo”. A indignação é do presidente da Associação de Catadores da Vila Corbélia, que fica em Curitiba, Dirceu da Silva.

Em cinco anos, ele montou um museu com mais de 1,2 mil peças de relíquias que, segundo ele, com certeza já tiveram pelo menos um valor emocional para muitas pessoas até virarem lixo.

Algumas chegaram na associação pelos caminhões do programa Separe, da Prefeitura de Curitiba, que é especializado em lixo reciclável na cidade. Outras foram encontradas na rua ou trazidas por amigos e conhecidos.

Atualmente, segundo a prefeitura, são recolhidas 1,6 mil toneladas de lixo reciclável na cidade mensalmente.

“Jogar tudo isso fora é desperdiçar uma história. E eu não quero que essas histórias tenham fim. Quero que as crianças saibam como eram as coisas antigamente. Hoje em dia tudo está muito modernizado. Os objetos de antigamente tinham volume, cores e muita criatividade”, contou Dirceu.

Dirceu montou museu com peças encontradas no lixo  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Dirceu montou museu com peças encontradas no lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

Televisões, câmeras fotográficas, discos de vinil, ferros de passar e aparelhos de telefone são apenas alguns dos itens que fazem parte do acervo do museu montado por Dirceu.

Ele contou que já recebeu várias propostas de pessoas querendo comprar, mas que não faz questão nem de perguntar quanto vão pagar para não cair na tentação de vender as relíquias.

No museu tem até quadros de fotos com molduras antigas que ele nem imagina de quem sejam. “Eu achei bonito e decidi guardar. Não gostaria de jogassem fora uma foto minha, por exemplo”, brincou.

Museu tem mais de 1,2 mil peças trazidas do lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Museu tem mais de 1,2 mil peças trazidas do lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

“Tem muita coisa que as crianças não conhecem. E daqui a alguns anos, tem coisas que nem a gente mais vai conhecer. Então, se ninguém guardar, some do mapa”. Toda vez que alguém achar que não tem mais valor, pra nós vai ter. Nós vamos resgatar e guardar para, quem sabe, trazer alegria para outras pessoas com o que um dia já foi lixo”.

Por enquanto, as peças estão muito bem guardadas em algumas prateleiras da associação, mas o sonho mesmo do seo Dirceu é ter um espaço exclusivo para elas, para que ela possa realmente chamar de museu.

Peças são o xodó do seo Dirceu, que sonha em montar o museu ao ar livre na associação — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Peças são o xodó do seo Dirceu, que sonha em montar o museu ao ar livre na associação — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

O local costuma receber visitas, normalmente de escolas, mas como as peças ficam dentro do barracão onde a equipe trabalha com a reciclagem, acaba, às vezes, dificultando o dia a dia.

“Por isso nós queríamos um espaço separado mesmo pra montar o museu ao ar livre, aqui no terreno da associação mesmo. Aí fica tudo mais organizadinho e é mais fácil de abrir pro público”, contou Dirceu.

Seo Dirceu se diverte diarimente com as peças do museu  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Seo Dirceu se diverte diarimente com as peças do museu — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

Ele disse que já pediu um contêiner para a prefeitura para tornar o sonho em realidade e que está aguardando um retorno.

A prefeitura disse que vai disponibilizar o contêiner para que ele possa montar o museu ao ar livre, mas que ainda não tem previsão para a entrega.

A primeira de muitas

A primeira peça do museu é uma máquina registradora de contas  — Foto: Dirceu da Silva/Arquivo pessoal
A primeira peça do museu é uma máquina registradora de contas — Foto: Dirceu da Silva/Arquivo pessoal

A primeira peça que apareceu foi uma máquina de calcular, de ferro, como as que eram usadas nos estabelecimentos de antigamente.

“No começo até pensei em levar para casa, mas como começou a aparecer muita coisa, eu resolvi começar a montar o museu. E até hoje tem gente que chega aqui com alguma coisa antiga pra eu guardar”, ressaltou Dirceu.

Museu montado pelo seo Dirceu tem mais de 1,2 mil peças que vieram do lixo  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Museu montado pelo seo Dirceu tem mais de 1,2 mil peças que vieram do lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

Nem tudo que chega é reciclável

Dirceu trabalha na associação há 5 anos e disse que falta consciência das pessoas para separar o lixo  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

Dirceu trabalha na associação há 5 anos e disse que falta consciência das pessoas para separar o lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

Atualmente, 25 pessoas trabalham na Associação de Catadores da Vila Corbélia. Todos os funcionários, segundo Dirceu, dependem do que ganham diariamente separando o lixo para sobreviver e manter as suas famílias.

O trabalho de nove horas por dia é árduo. Muitas vezes, segundo Dirceu, chegam muitos produtos que não podem ser aproveitados para a reciclagem, e a equipe acaba perdendo tempo separando do que podem ser aproveitados.

“Sem contar a falta de respeito de algumas pessoas. Uma vez recebemos um saco cheio de fezes humanas em meio aos produtos recicláveis. Como colocamos tudo na esteira para separar, aquilo espalhou por tudo e ninguém aguentou. Uma falta de respeito com todos que estão ali lutando pelo pão de cada dia”, desabafou Silva.

Mesmo diante dessas dificuldades, a associação entrega cerca de 80 toneladas de lixo reciclável todos os meses para cooperativas credenciadas com a Prefeitura de Curitiba.

A equipe, segundo ele, é vitoriosa e torce para que as pessoas saibam que o lixo reciclável é importante e pode ajudar muitas pessoas.

Serviço

A Associação de Catadores da Vila Corbélia, onde as peça estão expostas, fica na Rua Victor Grycajuk, 119, no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Inúmeras peças fazem parte do museu montado por Dirceu  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Inúmeras peças fazem parte do museu montado por Dirceu — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Entre as peças mais estimadas estão os rádios antigos  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Entre as peças mais estimadas estão os rádios antigos — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Acervo do seo Dirceu tem mais de 1,2 mil peças  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Acervo do seo Dirceu tem mais de 1,2 mil peças — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Museu tem mais de 1,2 mil peças que vieram do lixo  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Museu tem mais de 1,2 mil peças que vieram do lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Todas as peças que fazem parte do acervo do seo Dirceu foram trazidas do lixo  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Todas as peças que fazem parte do acervo do seo Dirceu foram trazidas do lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Museu montado pelo seo Dirceu tem mais de 1,2 mil peças que vieram do lixo  — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Museu montado pelo seo Dirceu tem mais de 1,2 mil peças que vieram do lixo — Foto: Giuliano Gomes/PR Press

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