Cientistas europeus estudam papel da poluição e do pólen na propagação rápida da Covid-19


Cientistas buscam descobrir se a polinização característica da primavera na Europa tem interferência na propagação da epidemia de coronavírus. AFP

Cientistas do programa europeu de observação da Terra “Copernicus” trabalham atualmente em cooperação com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com epidemiologistas para determinar o papel da poluição na disseminação da Covid-19. Com o início da primavera no hemisfério norte, pesquisadores também observam as consequências da polinização sazonal no cenário da pandemia.

Um estudo realizado por 15 cientistas internacionais, publicado no dia 17 de março no “The New England Journal of Medicine”, constatou que o novo vírus pode permanecer por aproximadamente três horas em meio a partículas finas em suspensão. Esses micropoluentes são liberados na atmosfera em processos de combustão, emitidos por carros, pela atividade agrícola ou industrial, o transporte aéreo, entre outras fontes.

Em entrevista publicada pelo jornal francês Libération, nesta terça-feira (24), Vincent-Henri Peuch, diretor do Serviço Europeu de Monitoramento Atmosférico (Cams) do “Copernicus”, fala sobre essa suspeita de que as partículas finas estejam ajudando a transportar o novo coronavírus.

A OMS e as universidades que trabalham em parceria com o Cams investigam se o novo vírus, em sua fase ativa, pode sobreviver “agarrado” às partículas em suspensão e por quanto tempo. Os cientistas tentam descobrir se o novo coronavírus poderia contaminar pessoas em longas distâncias, carregado pela poluição. Outros fatores, como a umidade do ar e a temperatura, são analisados nesse processo. Até agora são apenas hipóteses, mas, se confirmadas cientificamente, elas poderiam explicar, em parte, a velocidade de propagação da Covid-19.

Redução do transporte aéreo

A redução do transporte aéreo, na sequência das medidas de restrição de circulação adotadas por vários países europeus, poderá em breve fornecer dados interessantes aos cientistas. O confinamento já produz uma redução dos gases de efeito estufa, como o dióxido de nitrogênio e as partículas finas, em todos os países da Europa Ocidental e nos Estados Unidos, com um ligeiro atraso no Reino Unido.

Graças a ferramentas de observação por satélite e modelização, o Cams revelou, no dia 18 de março, uma redução semanal de 10% nas concentrações de um poluente – o dióxido de nitrogênio – no norte da Itália, desde meados de fevereiro.

Segundo o diretor do Cams, como essas emissões são muito dependentes da variação sazonal e do clima, os cientistas precisam de pelo menos um mês de coleta de dados e observação para tecer uma evolução robusta. “Poderíamos, então, decidir pela redução de certas fontes específicas de poluição”, diz Vincent-Henri Peuch nas páginas do Libération, com o objetivo de limitar a propagação da pandemia. Ele adverte, entretanto, que as concentrações de dióxido de carbono (CO2) e de gás metano na atmosfera já são tão elevadas e antigas, que uma diminuição temporária das emissões corresponderia a cerca de 1% do total.

Atualmente, o programa “Copernicus” trabalha no desenvolvimento de três satélites capazes de mensurar o CO2 com uma precisão suficiente para determinar a quantidade “recente” e a mais “antiga” desse poluente. Nos próximos dias, o Serviço Europeu de Monitoramento Atmosférico vai publicar um mapa, em tempo real, da evolução da concentração de alguns gases perigosos para a vida na Europa.

Com o início da primavera no hemisfério norte, o Cams também observa  a relação entre a propagação do coronavírus e as alergias provocadas pela polinização sazonal. Está claramente estabelecido que a poluição do ar, também estendida ao pólen, provoca doenças como a asma. Com a Covid-19, a questão agora é saber se a periculosidade do vírus e suas complicações pulmonares seriam ainda mais nocivas para pessoas alérgicas ao pólen. Na Europa, 25% da população é sensível ao pólen.

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