O efeito placebo é todo e qualquer efeito positivo atribuído a uma pílula ou procedimento que não que não está diretamente relacionado a uma ação farmacológica ou de propriedades específicas.

Qualquer tipo de tratamento pode agir como placebo, mas o efeito placebo é caracterizado pela resposta positiva de uma pessoa a esse tipo de situação.

Como médico, o Dr. Abdon Murad Junior menciona que o efeito placebo é muito observado em estudos científicos para verificar a eficácia de algum medicamento, como nos casos em que um grupo de pessoas recebe um comprimido cuja composição é de açúcar, farinha ou vitamina sem qualquer propriedade farmacológica e apresenta melhorias clínicas, apenas por terem acreditado que estavam tomando o remédio propriamente dito.

●   Abdon Murad Junior fala da história do efeito placebo:

No que tange a história do efeito placebo,  foi observado no século XVIII, pelo médico Elisha Perkins (1796), que cuidava de pacientes com um aparelho composto por duas varetas de metal, que ele patenteou na época como “Tractor Perkins”, onde as agitava em torno do paciente para eliminar o fluido elétrico que acreditava lhes causar o mal.

Esses efeitos e conceitos, instigou o interesse, mais tarde, do médico John Haygarth, que fez uma réplica do aparelho, porém em madeira, e conseguiu provar em um estudo controlado.

O médico Abdon Murad Junior ressalta que por mais que os efeitos produzidos pelo “Tractor Perkins” fossem verdadeiros, os mesmos poderiam ser atingidos com a sua réplica. Assim, conseguiu demonstrar que o uso de procedimentos embora tidos como inertes na terapêutica, poderiam acarretar resultados positivos aos pacientes.

●    Entendimentos que cercam o efeito placebo:

Diversos estudiosos acreditam que o efeito placebo seja simplesmente psicológico, oriundo de uma crença no tratamento. No entanto, o percentual de efetividade desperta a curiosidade de muitos especialistas, tendo em vista que ele pode chegar de 20% a 100% de respostas positivas nos indivíduos que fazem seu uso.

O Dr. Abdon Murad Junior menciona que embora seja um tema muito pesquisado, ainda não há uma explicação objetiva para o efeito placebo, mas existem algumas teorias acerca do tema, e você pode verificar a seguir:

  • Condicionamento clássico ou Pavloviano: Decorre de uma resposta inconsciente, que proporciona uma melhora gradativa nas condições fisiológicas do paciente, que começa a se adaptar com o uso da substância. Assim, o indivíduo que fez o uso da substância inerte várias vezes apresentará respostas cada vez maiores. Ocorre também de pessoas que receberam o tratamento inicial com um fármaco, e depois passam a receber o placebo, podem apresentar os mesmos efeitos, com o organismo respondendo positivamente.
  • Mecanismo consciente de duas partes: A partir deste segmento, ocorre um processo de expectativa de recompensa, onde uma crença ativa a rede de recompensas no cérebro, é responsável por incentivar uma pessoa a refletir em sua própria recuperação.

●     Usando o efeito placebo a nosso favor:

O Dr. Abdon Murad Junior explica que os mecanismos neurofisiológicos têm sido estudados principalmente em relação à dor e a relação com os receptores opioides endógenos. Por sua vez, a doença de Parkinson e a dopamina endógena e a depressão maior e o metabolismo da glicose cerebral.

É muito comum vermos o efeito placebo agindo de maneira efetiva em casos mais simplistas, como dores de cabeça e musculares, por exemplo. O paciente pode optar por “enganar-se” e acreditar que um doce, pode ser capaz de aliviar um quadro de dor de cabeça. Vale ressaltar que por mais que o efeito placebo possa agir de maneira positiva no alívio de dores, ele não tem o “poder” de curar doenças que medicamentosos efetivos viessem a ter, por exemplo.

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